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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ignorantes


O Nobel Saramago leu a Bíblia. Ou pelo menos umas partes. Teve que a ler, porque a Bíblia, ao contrário dos livros normais não tem aquele resumo na última página, nem existem aqueles livros amarelos a resumi-la com as coisas mais importantes que saem nos exames.

Mas aqui o essencial é: O Saramago pensa o que pensa, disse o que disse, e, quando emite uma opinião, a parte ofendida chama-o de “ignorante”.
E essa parte é que é de notar. Chamar de ignorante ao outro, acaba logo com a conversa. Não é preciso argumentar nada. Basta dizer: “esse tipo é um ignorante”. E acabou.

Isto é uma evolução desde a infância de todos nós até à vida adulta. Por exemplo:
- o futuro Nobel Saramago aos 5 anos dizia: “a bíblia é um manual de maus costumes”. E o futuro sacerdote de 6 anos, ofendido, respondia: “tu é que és”.
Mas a coisa evoluiu. Porque depois de alguém dizer “tu é que és” o outro podia responder “não, tu é que és” e assim sucessivamente. Por isso, nas discussões uns anitos mais tarde introduziu-se outro conceito:
- o futuro Nobel Saramago aos 10 anos dizia: “a bíblia é um manual de maus costumes”. E o futuro sacerdote de 11 anos, ofendido, respondia: “tu é que és, STOP REGRAS!”, que foi uma grande evolução para a época, que permitia acabar com a repetição.

Agora, quase à centena de anos, quando o já Nobel Saramago diz a mesma coisa, o sacerdote, evoluído, diz logo: “ignorante”. O que é genial, porque dá para tudo. É uma questão de experimentar. Na sua essência é igual ao “tu é que és, STOP REGRAS!”, mas soa muito melhor. É um bocadinho irritante, mas funciona sempre.
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