sábado, 8 de novembro de 2014

Fernando Santos começa a cavar buraco

Fernando Santos, o Benfiquista engenheiro do penta portista com passagem por Alvalade, figura consensual, um gentleman da bola (uppssss, aquilo da suspensão por meia dúzia de jogos recentemente) que agrada a todos foi o escolhido para sanar a relação da selecção e o mundo em geral.

A selecção Portuguesa de futebol não é um exército, não é uma selecção de rugby, não lhe há adesão por amor à pátria nem dever cívico. É futebol, alimentado por ódios de estimação, por clubite, por bairrismo, por popularidade dos jogadores. O patriotismo das bandeiras na janela não o é. É adesão de massas, e o que proporciona essa adesão de tanta gente é o agradar a toda a gente. Paulo Bento, fora a incompetência técnica, também o é na diplomacia - esse é o seu principal defeito para não ter sucesso na FPF.

Posto isto, Fernando Santos é o homem certo no lugar certo. Só uma personagem como ele é capaz de agregar a malta em torno da selecção, e só com essa adesão a selecção pode chegar longe em alguma competição. País pequeno, com poucos jogadores de qualidade técnica, só consegue algum feito quando está tudo a puxar para o mesmo lado. E isso consegue-se, não atraindo os (muito poucos) amantes do futebol, mas sim os amantes dos clubes. Os seus adeptos.

Para conquistar o apoio de adeptos que na maior parte do tempo estão divididos entre si e juntá-los ao apoio da selecção é só preciso usar um pouco de política básica. O agradar a gregos e troianos. Esquecer que a qualidade individual técnica de cada jogador é uma parte pequena no caminho para o sucesso e concentrar os esforços no agrado aos adeptos, pelo menos em caso de dúvida. Se em Portugal há 3 clubes grandes cuja massa adepta abrange a maior parte da população, é obrigatório fazer representar esses 3 clubes em qualquer convocatória, em qualquer 11.

Todo o Sportinguista torceu pela Argélia por causa do Slimani. Quantos Benfiquistas não gostam do Uruguai por causa do Maxi e até o Pinto da Costa virou fã da Colômbia por causa do Jackson. E depois, embora sem tanto valor, há ainda o caso da representatividade por memória, como o Ronaldo ser do Sporting, o Coentrão ser do Benfica ou o Carvalho ser do Porto.

Fernando Santos, o pacificador, acaba de fazer uma convocatória. André Gomes e Tiago? Não é suficiente.




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